O
tempo e a pesca
"Em relação ao
tempo em que o homem pesca com caniço e anzol, a pesca de arremesso
é algo muitíssimo recente. Tão recente que, se
considerarmos como sendo um dia, ou 24 horas, o tempo decorrido desde
a Idade da pedra até hoje, o homem pratica a pesca de arremessos
nos últimos 8 ou 9 segundos. Mas os melhoramentos proporcionados
pelo rápido avanço tecnológico neste lapso de tempo
da história da pesca têm sido de tal ordem que, em poucas
décadas, o material de pesca evoluiu o que não fez em
milhares de anos de história humana."
Silvio Fukumoto
Esta citação de
Silvio em seu livro "Noções gerais de pesca de arremesso"
, me leva ao passado.
Lembro que ainda garoto com 15 anos, eu nunca tinha visto um molinete.
Eu pescava no rio Paraíba com linha enrolada em latas.
Eu vi o primeiro molinete quando estava com 30 anos, em 1975 se não
me falha a memória, que era de um vizinho japonês, que
apresentou esta máquina todo orgulhoso em uma pescaria que fizemos
juntos. Lembro até hoje.
Depois tudo correu rápido demais. Molinetes e carretilhas cada
vez mais eficientes e mais bonitos, caniços a princípio
de fibra de vidro (era sonho de consumo ter uma), que logo ficaram obsoletas
e a fibra de grafite ficou sendo top. De top, passou também ao
esquecimento, pois as de fibra de carbono é hoje o sonho de consumo
de muito pescador. Estão evoluindo a olhos vistos, cada vez mais
leves e mais resistentes. Até onde vai isso?
Lembro que quando moleque, a minha imaginação e de meus
amigos na época criavam coisas simples para que nós pudéssemos
pescar.
Um alfinete de costura se transformava em anzol. Nas nossas pescarias
na lagoa preferida, tínhamos que ter muita técnica em
pescar traíra, pois tinha que ser em um tranco rápido
no momento exato em que ela pegava na isca e assim a jogar fora da água,
pois se a gente bobeasse, não existia fisga para segurá-la.
Sensibilidade era o que não nos faltava.
Quando entro hoje em uma loja de material de pesca, não dá
nem para comparar com o que usávamos há 30 anos atrás.
Então fico pensando: Será que um material primitivo apurava
a técnica do pescador? Será que com o material que o pescador
dispõe hoje, não o torna menos técnico e mais dependente
do material de última geração?
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