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Anzóis
Dentre os diversos apetrechos
de pesca, o anzol é a peça que menos modificações sofreu através
dos tempos. Desde priscas eras até a época de Charles Kirby, o
afamado fabricante inglês do século XVII, e desde Charles Kirby
até os dias atuais, a peça atravessou os séciulos sem grandes
modificações, conservando a mesma forma básica. Mesmo a era da
tecnologia pouco acrescentou ao anzol, exceto pequenos
melhoramentos.
Na pesca de praia como estamos
considerando, os anzóis vão desde os bem pequenos, de números 18 e
16 na mundialmente conhecida escala norueguesa Mustad, até os
grandes e fortes numerados 1/0 (um barra zero), 2/0, 3/0, etc.,
até 14/0, 16/0, destinados à pesca de peixes de grande porte, tais
como os atuns e tubarões colossais pescados no sul do Pacífico.
Tomamos como referência a escala Mustad, não só porque está
bastante difundida entre os pescadores, mas também porque em
matéria de numeração dos anzóis o que há no mundo é uma babel sem
tamanho. Face à inexistência de um critério unânime entre os
fabricantes, os pescadores assimilaram a escala numérica dos
anzóis mais conhecidos. Se fosse como no caso das armas e munições
de caça, por exemplo, em que as medidas são padronizadas e
rigorosamente seguidas pelos fabricantes de todos os países, seria
fácil identificar os tamanhos dos anzóis pelos números.
Segundo o critério mais
conhecido da Mustad, adotado pelo velho Ole Mustad tomando como
base o padrão médio dos antigos fabricantes ingleses de anzóis de
Redditch (que também nunca explicaram direito em que se baseavam
para adotarem aquela escala), o número zero é o marco que divide
os anzóis em grandes e pequenos. A partir do marco zero, a
numeração dos anzóis pequenos vai subindo de 1, 2, 3 a 20, 22, 24
ou até onde for viável na prática, na razão inversa do
tamanho--isto é,quanto maior o número, menor o anzol. Em outra
direção, ao contrário, o tamanho dos anzóis aumenta na razão
direta da numeração , na qual é acrescentado o barra zero: 1/0,
2/0, 3/0, e assim sucessivamente, até tamanhos tão grandes que não
há o que pescar com eles, mas o fato é que todo pescador veterano
ou qualquer vendedor de artigos de pesca conhece essa numeração.
Diante desse quadro confuso,
falar de anzol número tanto não significa nada. Para definir bem,
seria dizer anzol marca tal, tipo ou ordem qual, número tanto. Por
exemplo: Mustad (marca) O`Shaughnessy (tipo), ordem 34007, número
tanto (tamanho).

Na prática, refere-se
aos tamanhos dos anzóis com base na escala Mustad mais comum
porque é o critério adotado nos seus anzóis mais populares e
conhecidos, tais como os tipos BestKirby, O`Shaughnessy, e Beak
Hook (unha de gato). E dissemos escala Mustad "mais comum"
considerando que a própria fábrica não adota a mesma escala para
numerar todos os diferentes tipos de anzol que produz,
contribuindo para aumentar a confusão reinante no setor. Seja como
for, essa escala mais comum ou similar é também seguida por outros
fabricantes europeus.

Pela escala mais
comumente utilizada pela japonesa Gamakasu (que também adota
critérios diferentes de numeração conforme o modelo), os tamanhos
recomendáveis em nosso caso variam desde os pequenos, de números
3, 4 e 5, até 20 ou mais. No caso da Gamakatsu e de outras
fábricas japonesas, a numeração é feita em escala crescente,
acompanhando o aumento progressivo dos tamanhos dos anzóis. Como,
também, se trata de critérios (se é que há critérios)
aparentemente incompreensíveis para definir bem o tamanho é
necessário citar tipo e número, assim: Akita Kitsune número tanto,
Sodê número tanto, Maruseigo número tanto--só para citar três
tipos muito usados pelos pescadores de competição. Isso tudo
talvez possa parecer muito teórico e inútil, mas na prática tem
sua utilidade, na medida em que o pescador se acostume a associar
os números à noção dos tamanhos correspondente. E o tamanho certo
dos anzóis é um item de fundamental importância no rendimento da
pesca.

Dependendo da qualidade e
têmpera do aço, alguns anzóis são duros e afiados, mas
quebradiços; outros são maleáveis e não quebram, mas se abrem com
facilidade.
Dentre os tipos de anzóis
empregados na pesca marítima, particularmente apreciados são os
unhas-degato farpados (Beak Hooks) de aço inox, por serem fortes,
mais resistente à água salgada e por causa das farpas retentoras
de isca que têm na haste. Ademais, esse e outros tipos populares
são dotados de olho (argola), o que facilita aos pescadores menos
experientes o trabalho de empatá-los.
Além dos anzóis
convencionais, que servem para pescar a maioria dos peixes,
existem modelos especiais, projetados para a captura de
determinadas espécies ou para certos tipos de pesca. Isso sem
falar na garatéia, permitida nas iscas artificiais.
Para ser considerado
ótimo, um anzol deve ter algumas características, tais como ponta
aguçada, muito penetrante (que fisga fácil),capacidade de reter o
peixe fisgado, resistência e durabilidade. Como se trata de
qualidades difíceis de conciliar, na prática prioriza-se uma ou
outra conforme se esteja praticando pesca leve ou pesada. em
outras palavras, o enfoque em relação às qualidades do anzol muda
em função da categoria de pesca. Na pesca de peixes de grande
porte, dá-se ênfase à resistência (até porque fisgar não é
problema), enquanto na pesca de peixes pequenos o mais importante
é que o anzol seja "matador", isto é, que fisgue facilmente o
peixe (pois aqui fisgar é problema). Anzóis grossos de farpa
grande e ponta longa, como os Mustad popularmente usados e já
citados, não perdem o peixe fisgado, mas não fisgam com a mesma
facilidade dos tipos mais "matadores". Já os japoneses Gamakatsu,
embora não tenham a mesma resistência e capacidade de segurar o
peixe fisgado, mostram excepcional capacidade de fisgar, sendo por
isso, quase uma unanimidade entre os pescadores de competição
Os anzóis mais fortes como
os noruegueses que existem à venda, a granel, em qualquer loja do
ramo e são largamente usados no Brasil, são fortes porque são mais
grossos relativamente ao tamanho. Também seguram melhor o peixe
ferrado por terem farpa maior. Mas por isso não têm a mesma
aptidão para fisgar dos japoneses Gamakatsu e assemelhados,
de bitola mais estreita, farpa pequena e ponta curta.
Nas competições de pesca
de arremesso, onde basicamente se faz pesca leve e ninguém joga
na loteria à procura de peixes enormes poucos prováveis, pois
o que conta é quantidade e o tempo é limitado, o item prioritário
em relação ao anzol é que ele seja "matador". O mesmo
vale para qualquer pesca de barra leve. A propósito, acrescente-se,
a título de informação e registro histórico, que antigamente,
antes do aparecimento dos Gamakatsu por aqui em fins da década
de 70, os pescadores de competição usavam alguns anzóis franceses,
principalmente das marcas Au Lion d`Or e Viellard-Migeon, esguios
e fracos em comparação com os noruegueses e desconhecidos dos
pescadores comuns, mas considerados mais hábeis para fisgar.

Fonte: Noções Gerais de Pesca
de Arremesso
Autor: Silvio Fukumoto
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