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As três barras
da pesca
Diz um velho ditado
: três barras há que perdem o homem---barra de saia, barra de
ouro e barra de córrego. Pois a pesca de arremesso tem
três outras barras, além da barra que é a pesca em si quando
o tempo não ajuda. De acordo com o maior ou o menor tamanho,
peso e capacidade de carga do equipamento e o porte médio dos
peixes visados, pode-se classificar a pesca de arremesso, a
grosso modo, em barra-leve,
barra-média e barra-pesada. É claro que se trata de uma classificação
também na linha do mais ou menos, para uso de pescador em termos
práticos, pois não há como definir faixas e limites precisos.
Mesmo porque há uma enorme gradação de equipamentos intermediários
entre as faixas. Ademais, no fundo isso não tem maiores implicações
práticas. Não consideramos aqui a pesca na espuma, muito específica,
praticada aquém da arrebentação, na faixa de espraiamento das
ondas, portanto bem no raso, com material ultraleve e lances
curtíssimos, porque esse tipo de pesca, que é coisa de campeonatos
oficiais, não interessa ao pescador de fim de semana, nem valeria
a pena pegar peixinhos minúsculos que não serviriam sequer para
fazer uma fritada.
PESCA DE BARRA
LEVE
Como o material barra-leve é versátil, embora vise basicamente
peixes de pequeno porte, tanto pode apanhar peixes pequenos,
de menos de 50 gramas, quanto exemplares bem maiores, surpreendendo
o pescador e obrigando-o a valer-se de calma e perícia para
colocar a peça no seco. Mas nem sempre calma e perícia são suficientes.
Às vezes um grande peixe, no meio do caminho, abocanha o peixinho
que está sendo recolhido no material
ligeiro e leva tudo de um só golpe, sem apelação. Um peixe brigador
de 1 quilo, por exemplo, fisgado num material leve, opõe tanta
resistência que dá a impressão de pesar uns 10 quilos. O que
é muito difícil de acontecer é um equipamento
exageradamente pesado pegar peixe pequeno. Muito novato
pasta porque tem expectativa pouco realistas e, com receio de
perder peixes tão grandes que praticamente não existem no lugar,
emprega material superdimensionado. Se já não é fácil pegar
peixes que existem, pegar o que não existe é impossível.
Peixes visados: pequenos, em média 100 gramas, podendo variar
para mais ou para menos, tais como betaras (papa-terra), cangoás,
savelhas, cângulos, corvinotas, roncadores, paratís-barbudos,
salteiras (guaiviras), pescadinhas, galhudos, caratingas, corcorocas,
carapicus, cavalinhas, etc.
VARAS:: em torno de 2,40 m a 3,00 m, preferentemente do
tipo tubular de fibra de vidro ou grafite, leves e sensíveis,
mas ao mesmo tempo mais ou menos firmes, de boa ação, com casting
weight ideal ao redor de 30 a 35 gramas, até 60 gramas (cerca
de 2 onças)
MOLINETES: pequenos, de 250 a 350 gramas, ou de 8,5 a 12 onças,
mais ou menos, com boa saída de linha e capacidade de carregar
entre 200 a 300 metros de linha 0,20 mm. Boca do carretel com
o diâmetro de 4 a 5 cm aproximadamente. A título de exemplos,
só para darmos uma idéia do tamanho, podemos citar alguns modelos
clássicos bastante conhecidos, como Penn716z, 714z, Mitchell
308/408 até 400/410, Abu Cardinal 3 e 4, e o nacional Super
Paoli, etc. Entre os modelos mais recentes, a maioria de grafite,
alta velocidade e sistema de freio traseiro, podemos lembrar
: Cardinal DM64, 453GL, 554GLX, 763GTi; Penn 430 SS, 230 GR,
Mitchell 2540G, 2560G, 5540RD. Talvez não adiante citar modelos
japoneses, porque mudam todo ano com novos lançamentos,
de modo que fica complicado memorizar tantas siglas e associá-las
a modelos e tamanhos correspondentes. O que não se pode deixar
de mencionar é que os recentes modelos long cast
da Daiwa e os long spools da Shimano, dotados de bobina
larga e perfeito enrolamento da linha, são excelentes. Modelos
da Daiwa, como o Tournament EX-750/EX-800, Whisker Sport GS
-7550, PR-1305H, ST-750RD, TG-1300H, são dos mais recomendáveis,
bem como os equivalentes da Shimano, tais como BB-XSpecial 950GT,
GT-X3000, GT-L2000, GT-L3000, Biomaster GT-2500,etc.
LINHAS: de 0,15 mm a 0,20 mm, bobina cheia. É recomendável
encher o carretel com uns 200 m para o caso de precisar dar
linha para o peixe e para quando, após o arremesso, ter de retroceder
bastante por força das condições do mar, além de, eventuais
rompimentos, ainda ter linha no molinete para continuar a pescar
com o mesmo material. Para encher o carretel, é de bom alvitre
enrolar no fundo, como calço, linha mais grossa, à qual será
emendada a linha principal. Tanto o calço quanto a linha principal
não devem ser muito apertados, senão o carretel poderá estourar
com a pressão exercida por centenas de voltas do náilon. Também
se pode enrolar, como calço , uma linha multifio (de fios trançados),
macia e sem elasticidade, que não se encharque e se acomode
bem no carretel, para amortecer a pressão do náilon monofilamento
enrolado por cima. Há molinetes que vêm com um redutor na bobina
para que não se tenha de enrolar muita linha desnecessária .
Na ponta da linha-mestra costuma-se emendar uma linha de arranque
de cerca de 7 metros. Para linha 0,15 mm arranque 0,20 mm; para
linha 0,20 mm, arranque 0,30 mm. Com chumbo leve (até 30 g)
e caniço flexível , o arranque poderá ser dispensado, a critério
do pescador.
Anzóis:
de nºs 18 a 12, mais ou menos, na escala norueguesa comum
ou de outra fabricações de tamanhos equivalentes.
Chumbadas: 30 gramas em média , podendo variar para mais
ou para menos em função do material e das condições da pesca.
Iscas: pedacinhos de camarão descascado, cernambí, minhoca
de praia (poliqueta), pedacinhos de sardinha ou manjuba, etc.

Molinetes barra leve: pequenos, leves e ágeis.
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PESCA DE BARRA
MÉDIA
Fora das competições, nas quais se pesca em função dos
resultados e à luz dos regulamentos , fazendo-se o que mais
convêm em termos de pontuação, na pesca meramente recreativa
e descompromissada o material de barra média é usado pelos pescadores
de arremesso com bom proveito. Não sendo nem leve demais e nem
muito pesado, tem uma larga faixa de utilização, podendo pegar
tanto peixes pequenos quanto os de grande porte, além do que
possibilita potentes arremessos a longa distância. Numa praia
de tombo, onde se pesca do seco, um arremessador médio, com
um material apropriado, pode ultrapassar a distância de 100
m sem maiores dificuldades. Um top caster desses
mais técnicos e afeitos a competições de lançamento, com uma
potente vara de grafite ou outra adequada, molinete e arranque
coerentes e linha mais ou menos fina, é capaz de ir buscar peixe
a distâncias inatingíveis por pescadores comuns, algo como 175
jardas ou cerca de 160 metros, e até mais.
Peixes visados: tamanho médio entre 1 e 2 kg,
variando também para mais ou para menos, dentro de uma faixa ampla
sem limites definidos. Exemplos: betaras graúdas, corvinas,
ubarama, pampo, caçonetes, bagres cabeçudos, enchovas, robalos,
parus, pescada. xareletes, etc.
Varas: preferentemente de grafite ou fibra de vidro, de
cerca de 3,50 m, não muito pesadas mas firmes, de ação rápida
e com potência suficiente para fortes arremessos de chumbadas
de 60 a 110 gramas (mais ou menos de 2 a 4 onças)
Molinetes: entre 400 e 500 gramas, ou de 15
a 18 onças, podendo variar para mais ou para menos conforme
o material de que é feito, mas com capacidade para acomodar
300 m ou mais de linha 0,30 mm. Diâmetro de boca do carretel
entre 5,5 e 6 cm em média. Exemplos: Mitchell 306/406, Abu Cardinal
66 e 57, Penn710 e 550SS. No que tange à capacidade de lançamentos
longos, o Escualo é o destaque, apesar de suas deficiências
em outros itens. Muito recomendáveis são os melhores modelos
long cast da Daiwa, como o Whisker Sport GS-1000,
TD-1655H, SS-2000, TG-2600H e outros. Embora sem terem bobinamento
perfeito como os melhores modelos da Daiwa, os similares da
Shimano também são bons (TG-L4000, GT-X4000, Biomaster GT-4500,
etc.).
Linhas: espessura média 0,30 mm
com arranque 0,40 a 0,50 mm, podendo essas medidas variar um
pouco para mais ou para menos.
Anzóis: tamanho médio entre 6,4,e 2 na escala
do farpado Mustad ordem 92247, largamente utilizado na pesca
marítima.
Chumbadas: de 60 a 70 gramas em média, podendo
chegar a 100 gramas em condições adversas do mar.
Iscas: camarão, manjuba, filé de sardinha ou parati,
cernambí, tatuí, caranguejinho das pedras, e a mais recente
vedete da pesca de praia, o crustáceo apelidado de "corrupto",
etc.

Equipamentos barra-leve; barra-média e barra-pesada:
cada qual adequado para uma categoria de pesca
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PESCA DE BARRA PESADA
É a pesca de peixes de grande porte, a pesca do tudo ou nada,
em que não há meio termo. Ou se pega um peixe que exija o uso
do bicheiro ou se volta "sapateiro". Também, se pegar um, o
pescador terá ganho o dia. A distância dos arremessos é geralmente
grande, com vistas a alcançar um canal suficientemente fundo
para se encontrar o que se procura. Como o material é pesado,
costuma-se pescar de espera, com o caniço num fincador. A modalidade
é mais confortável numa praia de tombo, embora seja uma pesca
de paciência, às vezes rende bons resultados.
Peixes visados: de mais ou menos 5 kg para cima, sem limite
de peso----o que não quer dizer que não se peguem exemplares
menores. Mas no caso de arraias, exemplares de 20 kg ou mais
não são raros. Espécies
mais comuns: cações, miraguaias, enchovas, robalos, prejerebas,
cernambiquaras, violas xaréus, caranhas, etc.
Varas: de 3,50 m, fortes e firmes, com capacidade de carga
de lançamento acima de 4 onças até 200 gramas ou mais.
Molinetes: grandes e fortes, inevitavelmente pesados,
com mais ou menos 700 gramas (23 a 228 onças) aproximadamente)
e grande capacidade de linha. Boca do carretel com o diâmetro
variando normalmente entre 7 e 8 cm. Exemplos: Escualo 6000/6006,
601/602B, Mitchell 486/498, Penn 750/850SS, DAM 5001, o nacional
Paoli Malcolm e similares.Qualquer que seja a marca ou o modelo,
é importante que carregue bastante linha e lance bem, tenha
um bom sistema de freio e seja robusto. Muitos veteranos experientes
preferem a carretilha nesta pesca justamente pela maior confiabilidade
e robustez, melhor sistema de freios e maior força de tração.Em
matéria de arremesso o Escualo é imbatível. Modelos grandes
da Daiwa como o Tournament Millionmax SS-9000 e o Millionmax
GS-9000, dotados de carretel superlargo, embora com capacidade
de linha menor, são boas opções de modernos molinetes de surfcasting
que incorporam muita tecnologia e desenvolvimento. A sofisticação,
naturalmente, tem seu preço.
Linhas: em média 0,50 mm, com arranque 0,70 mm ou 0,80 mm.
Recomenda-se ter uns 10 metros de arranque para que, nos momentos
cruciais do embicheiramento, quando o peixe se encontra perto,
no raso, e dá violentos trancos para escapar, ele esteja sendo
agüentado por uma linha mais grosa e resistente.
Anzóis: grandes e forte, do nº 1/0 para cima, encastoados
em aço face à possibilidade de ocorrência de cações e outras
espécies que costumam cortar a linha.
Chumbadas: acima de 100 gramas, até mais de 200 gramas,
o que for necessário e possível exigir do equipamento.
Iscas:
camarão inteiro, amboré, e outros peixinhos de canais de mangues,
preferentemente vivos, sardinhas (toletes), filés, metade da
cabeça ou do rabo, filé de betara, parati ou cavalinha , "corrupto",
lula, siri, pequenos caranguejos, etc.
Fonte: Noções Gerais de Pesca
de Arremesso
Autor: Silvio Fukumoto
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