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DE NOÇÕES GERAIS DE PESCA DE
ARREMESSO
Chumbadas
Existem modalidades de pesca em que não
se usa chumbada, e outras em que a chumbada,
embora necessária para lançar
e afundar a isca na água, chega a atrapalhar,
por prejudicar a sensibilidade do material.
Também no surfcasting o peso
da chumbada prejudica a sensibilidade do equipamento,
mas sua importância é fundamental,
pois sem ela não haveria arremesso.
Pode-se até dizer que chumbada certa
pega peixe. E não se trata de retórica,
já que o emprego de chumbadas erradas
ou impróprias, quanto ao peso e formato,
pode redundar em maus resultados na pesca.
Se perguntarmos a um pescador comum de vara
e molinete sobre a função da
chumbada, talvez diga que é o óbvio
: arremessar e afundar a isca. Na pesca de
arremesso, como os lançamentos são
feitos sobre as ondas, visando objetivos distantes,
em águas abertas e agitadas, não
basta afundar, mas sim, arremessar a grandes
distâncias, e não basta afundar,
mas deve fixar-se no fundo de areia, resistindo
à pressão das ondas e da correnteza
(é claro que as ondas ou a correnteza
não carregam o chumbo diretamente,
mas através da pressão sobre
a linha). Além disso, nessa pesca o
pescador se encontra longe dos anzóis,
com muita linha dentro da água, o que
se traduz por maior pressão sobre a
chumbada.
Na prática comum, um problema na pesca
de beira de praia é a chumbada rodar.
O problema pode ser contornado ou minimizado,
em princípio, com duas providências
principais:
1) aumentando o peso da chumbada; 2) usando
chumbadas menos propensas a rodar. Isso desde
que não se disponha de um carretel
sobressalente com linha mais fina ou que a
linha do molinete não possa ser afinada
por estar coerente com o conjunto do equipamento
e em face das condições da pesca.
Como não se pode aumentar exageradamente
o peso da chumbada, sob pena de ultrapassar
a capacidade do equipamento e comprometer
o conjunto com a sobrecarga, costuma-se usar
chumbadas que poetem melhor. Acrescente-se
que o emprego de chumbadas de peso acima do
limite aceitável, além de forçar
perigosamente a vara e encurtar os arremessos,
arruinará completamente a sensibilidade
do material, impedindo que o pescador sinta
o ataque de peixes de pequeno porte. Perceber
peixes miúdos beliscando as iscas é
importante na medida em que, não o
percebendo, o pescador perde tempo, ficando
muitos minutos na espera com seus anzóis
"limpos". Muitas vezes, ao recolher
a linha depois de um bom tempo de espera,
vem um peixinho pendurado no anzol, e o pescador
nunca saberá quanto tempo ficou de
bobeira com aquele peixinho fisgado.

Chumbadas de formato adequado param melhor
do que tipos de peso muito superior, assim
como pequenas âncoras poitam melhor
um barco do que enormes blocos de concreto.
A chumbada mais empregada na praia é
do tipo pirâmide, vendida em qualquer
loja do ramo. A respeito, achamos preferível
o modelo antigo, dotado de alça de
arame e não de chumbo--este mais comumente
vendido nas lojas, pela simples razão
de que a alça de chumbo é grossa
demais e não cabe nos grampos comuns.
Os fabricantes preferem fundir a alça
junto com a chumbada numa peça só,
a fim de economizar mão-de-obra. E
a alça, sendo de chumbo, não
pode ser mais fina como seria de desejar,
caso contrário ficaria frágil.
Como se vê, o que é bom para
os fabricantes, não é bom para
o consumidor.
O problema da chumbada pirâmide é
que, embora pare bem, é muito ruim
de arremesso por causa de sua péssima
aerodinâmica. Já a chumbada pingo
d´água e similares, alongadas
e roliças, voam bem, mas rodam, não
parando como a pirâmide e tipos afins,
de lados quadrados ou côncavos e dotados
de arestas. Quer dizer, quando a chumbada
tem boa performance aérea, desempenha
mal dentro da água, e vice-versa. A
questão, portanto, é conciliar
boa aerodinâmica com boa capacidade
de poetar no fundo do mar- duas qualidades
aparentemente conflitantes.
Em termos de aerodinâmica, a melhor
forma só pode ser a que apresenta o
menor coeficiente de atrito com o ar. A resposta
está no nariz pontudo dos aviões
supersônicos e dos mísseis. que
obedece a esse princípio. Mas a boa
performance aérea não é
apenas resultado da boa penetração
aerodinâmica do chumbo, mas também
de sua estabilidade no vôo, sem oscilações
que decorrem do formato desfavorável
ou do desbalanceamento entre suas partes.
É claro que, para voar bem, o chumbo
precisa sair bem direcionado. Acontece que,
antes da partida, ele está com o nariz
voltado em sentido contrário ao do
arremesso, assim como também a ponta
da vara. Em seu curso de aceleração,
na fração de segundo que precede
o disparo do arremesso e a liberação
da linha, o chumbo executa um giro de 180
graus sobre seu eixo para partir com o nariz
para a frente. Como isso acontece em meio
a uma violenta aceleração, e
ainda em curva, chumbadas de formato inadequado
não executam com precisão essa
meia-volta. E a consequência imediata
desse problema é um mau arremesso de
alcance bem inferior ao que o equipamento
poderia conseguir.
A chumbada pirâmide, em razão
de seu formato, com o nariz bem mais leve,
no faz devidamente essa meia-volta e sai atravessada
ou mesmo ao contrário, com a base quadrada
para a frente. Além disso, como vai
arrastando a linha (com chicote e iscas) presa
a sua base, não se estabiliza no ar.
Enquanto a base por ser mais pesada, tende
a ir na frente, o arrasto da linha tende a
puxá-la para trás. Nos modelos
mais aerodinâmicos, de nariz mais pesado
do que a cauda, como o pingo d´água,
a própria linha, arrastada pela extremidade
traseira, mais fina e leve, atua como um leme
ou um estabilizador, corrigindo eventuais
falhas na saída e alinhando o chumbo
com o nariz para a frente, mais ou menos como
faz a cauda de uma pipa em relação
ao vento.

Segundo experts inglês John Holden (Long
Distance Casting), em matéria de chumbada
para pesca de arremesso, nada melhor do que
o tipo bomba (pingo d´água de
nariz pontudo), à semelhança
do Beachbomb inglês, da DCA Moulds,
no qual podem ser fixadas quatro garras de
aço (para otimizar a ancoragem) caso
condições adversas do mar o
exijam. Um outro modelo (de pesca, diga-se
de passagem) da mesma fábrica, o Aquazoom,
é até usado nas competições
oficiais inglesas de lançamento.
Para melhorar o giro na saída e a estabilidade
do chumbo no ar, o Beachbomb pode ser provido
de uma longa cauda de aço, de a0 a
15 cm mais ou menos, terminada em aro, em
vez da pequena alça convencional.
Em termos práticos entre nós,
o que existe de chumbadas para pesca de arremessos
no mercado restringe-se aos tipos pirâmide,
triângulo côncavo, oliva, medalhão,
gota achatada e talvez uns poucos modelos
mais . O mais usado é o tipo pirâmide,
por ser o mais comum e, também, por
sua característica de se prender bem
no fundo do mar. Compensa-se o arremesso mais
curto entrando mais na água. Mas, quando
não se pode avançar mais e o
arremesso não chega à distância
pretendida, ou quando simplesmente se deve
executar lançamentos extremamente longos
de fora da água, a saída será
recorrer aos tipos de chumbadas que voem melhor,
pois nestes casos atingir grandes distâncias
aerá mais importante do que o chumbo
parar bem.
Na Argentina e na Inglaterra , entre outros
países, existem no comércio
chumbadas aerodinâmicas próprias
para surfcasting inclusive de águas
agitadas. Mas como entre nós ainda
não há similares à venda,
os pescadores mais exigentes e técnicos
são obrigados a bolar sucedâneos
de fabricação caseira.

Fonte: Noções Gerais de Pesca de Arremesso