Linhas
Em função
da categoria de pesca, o monofilamento pode variar, desde 0,15
até 0,50 mm de espessura; mais do que isso, só
mesmo em situações excepcionais, posto que desnessário
e na prática significará mais desvantagem do que
vantagens. Usando-se linha muito grossa, em geral não
se pega nada. Normalmente, os maiores peixes que frequentam
as proximidades das praias poderão ser sacados com linhas
dentro deste limite, desde quem o conjunto do equipamento esteja
afinado e o pescador trabalhe adequadamente, não praticando
cabo-de-guerra com o peixe. O confronto com o peixe não
é por aí. Também, se o peixe for grande
demais (como, suponhamos, um cação de uns 300
kg), a linha poderá ser mais grossa, que dará
na mesma. Não havendo como segurar um monstro deste com
os pés na areia, o pescador será arrastado mar
adentro, a menos que dê linha até ela acabar e,
caso o naílon seja muito resistente, terá de cortá-la
antes que o molinete esatoure ou tenha de largar todo o equipamento
.
Por isso, onde basta
uma linha mais fin, nunca usar uma mais grossa. Em vez de ter
100 metros de linha 0,60 numa bobina, é preferível ter 200 metros
de linha 0,40. Se tiver mais, melhor ainda. quando se trata
de frear e cansar peixe grande, o mais importante é ter bastante
linha para dar. E linha mais grossa cabe menos no molinete.
Aliás, se apenas 100 metros de linha enchem uma bobina, alguma
coisa deverá estar errada. Ou a bobina é pequena demais para
essa linha , ou a linha é grossa demais para essa bobina. Ou
se a substitui por uma linha mais fina, ou se abastece com ela
um molinete bem maior.
Quanto mais fina,
mais sensível será a linha, porque, por sofrer menos pressão
do vento, das ondas e da correnteza exigirá uma chumbada menor.
E chumbada menor, além de comprometer menos a sensibilidade
do material , significa menor pressão na vara sobre a mão do
pescador enquanto este aguarda a resposta do peixe, tornando
menos cansativa. Outra vantagem é que linha mais fina alcança
também maiores distâncias no arremesso, e o ganho nesse particular
é considerável, na razão inversa da bitola da linha. Em termos
práticos, 10 ou 20 metros a mais na distância do arremesso pode
ser a diferença entre voltar da pescaria com bons peixes e voltar
"sapateiro". Mais um pormenor que concorre para atraplhar
é que na praia geralmente se tem que arremessar contra o vento,
com grandes perdas de distâncias. Dificilmente se pega um dia
sem vento na praia e, quando venta, é quase sempre vento de
frente, do mar para terra.
Naturalmente, a questão
da linha fina deve ser considerada em termos, visto que a linha,
quanto á espessura , deve ser adequada á catgoria do equipamento
e o porte médio dos peixes visados. O que se recomenda é não
usar linha mais grossa do que o necessário.
Cada molinete, dependendo
do tamanho, tem uma determinada capacidade de linha, limitada
a uma faixa não muito ampla, expressamente declarada em alguns
modelos.. Em condições normais, a espessura da linha para abastecer
um carretel deve ficar dentro desses limites; principalmente
não se deve colocar menos linha do que a metragem mínima recomendada.
De preferência deve-se ter mais do que esse mínimo, especialmente
nos molinetes de tamanho e capacidade de linha , que se encaixam
com mais ou menos no limite superior da categoria leve: o Cardinal
4 e o Cardinal 54. Seus carretéis podem receber 300 metros de
linha 0,20, 200 metros de linha 0,25 ou 150 metros de
linha 0,30, segundo expressas recomendações do fabricante. Neste
caso, o melhor seria pôr 300 metros de linha 0,20; 200 metros
de linha 0,25 ainda seria uma opção aceitável , e 150
metros de linha 0,30 não chegaria a ser errado, mas não seria
a melhor escolha, a menos que se disponha de carreteis extras
e se tenha alternativas. Mas passar disso, colocando, por exemplo
, uns 100 metros de linha 0,35 ou 80 metros de linha 0,40, seria
a lógica que preside qualquer questão de ordem técnica ligada
à pesca; em uma palavra, seria uma besteira.
Na extremidade da linha-mestra
(a linha principal com que o carretel do molinete está abastecido)
usa-se emendar uns 7 metros de arranque, um segmento de linha
mais grossa e forte cuja função é aguentar o impacto dos arremessos,
daí ser conhecida em inglês por shock leader . Na pesca
pesada, pescadores mais experientespreferem aumentar o comprimento
do arranque para cerca de 10 metros. Isso pode prejudicar
um pouco o arremesso e aumentar o arrasto da linha na água,
mas em compensação, nos momentos críticos do embicheiramento,
quando o peixe, já bem perto, no raso, opõe mais resitência
dando violentos trancos e cabeçadas, ele estará sendo sujeitado
por uma linha mais forte.
O arranque deve
representar um acréscimo maior ou menor à linha-mestra conforme
a potência do equipamento e o tamanho da chumbada. Nos equipamentos
leves, basta dar um acréscimo de 0,10 mm em relação à bitola
da linha-mestra, podendo-se aumentar para 0,20 mm ou 0,30 mm
face ao uso de chumbadas pesada em caniço potente. Por exemplo:
linha-mestra0,20-----arranque 0,30; linha-mestre 0,25-----arranque
0,35; linha-mestre 0,30------arranque 0,40/0,45; linha-mestre
0,40-------arranque 0,60; linha-mestre 0,50------arranque 0,70/0,80.
Em certas situações,
o arranque poderá ser aumentado ainda mais, até a medida compatível
com o impacto que deverá suportar, independentemente da espessura
da linha-mestra. Para efetuar fotíssimos arremessos, por exemplo,
com um molinete médio abastecido com linha-mestre 0,20 mm (mais
fina do que o normal, em busca de pequenos peixes a grande distância),
poderá ser necessário aumentar o arranque para 0,40 mm ou mais,
dependendo da potência da vara e do peso da chumbada. Para fortes
lançamentos com chumbadas de 5 onças ou próximas a 150 gramas,
é desejável que o arranque tenha mais de 50 libras de teste,
ou pelo menos 0,70 mm de bitola. Para chumbadas em torno de
4 onças, ou 110/120 gramas, arranque de mais ou menos 40 libras,
ou 0,60 mm. Num equipamento barra-média, também para fortes
arremessos com vara firme, de ação rápida , com chumbadas
de 0,80/90 gramas, convém que o arranque tenha cerca de 28 libras
de teste, ou 0,50 mm; com chumbada de 60/70 gramas, arranque
de pelo menos 18 libras, ou 0,40 mm
Em linha fina usada
na pesca leve, em arremessos curtos e médios e com caniços mais
flexíveis, o arranque pode ser dispesado, na medida em
que tornaria inútil, ficando apenas com seu lado negativo, que
é a diminuição da sensibilidade e o aumento do arrasto da linha
na água.
Em relação à cor da linha,
parece o que há é muita fumaça e nenhum fogo. Ouvem-se opiniões
e teorias as mais variadas e desencontradas, mas nada conclusivo
ou comprovado. O fato é que há todas as cores e matizes, e todas
elas pegam peixe. Há até linhas fluorescentes -----azuladas,
do tipo Blue Stren ou Araty Light (esta nacional), e as luminosas
douradas ou amarelo-esverdeadas, do tipo Golden Stren ou Raiglon.
Estas últimas principalmente, são ótimas para pescar em certas
circunstâncias, por ficarem bem visíveis para o pescador. Você
pesca enxergando a "barriga" da linha sobre as ondas
e, antes de sentir nas mãos a puxada do peixe, vê a linha correr
e chascará no tempo certo. Isso, naturalmente, é mais apreciável
diante de peixe de pequeno-porte, cuja abordagem da isca é menos
perceptível.
Dizem alguns pescadores
que não convém usar linha fluorescente em presença de baiacús,
que eles são atraídos pela luminescência da linha e o mordem
(e cortam). Sobre esse assunto comenta o autor Jonh Holden em
seu livro Long Distance Casting que, por suas experiências
e observações, nada indica que as linhas afugentem os peixes
por causa da cor, mas, ao contrário, tudo leva a crer que algumas
espécies sejam até atraídas pela cor da linha. Seria o caso
da anchova, que às vezes (ainda segundo o mesmo autor) ataca
a linha fluorescente dourada Stren, e do linguado considerado
um peixe curioso, que pega bem em linhas fluorescente azulada
ou dourada.

Uma velha preocupação
dos pescadores com relação à cor da linha diz respeito a sua
visibilidade (para o peixe) dentro da água. È possivelmente
unânime o conceito de que a linha, quanto menos visível, melhor.
Daí é que, segundo esse raciocínio, linhas de cores diferentes
podem ser usadas de acordo com a coloração da água em que se
pesca. O importante seria a linha não contrastar com a água.
É nesse contexto que também qs linhas chamadas camufladas se
encaixam. Os pequenos segmentos alternados de diferentes cores
visam confundir a percepção da continuidade da linha. Nessa
história toda a linha branca, ou melhor, incolor, seria neutra
(ou polivalente), servindo para água de qualquer dor. Na verdade,
a visibilidade e a cor da linha só seriam importante caso os
peixes, de alguma forma, associassem a visão da linha à noção
de perigo.
Tanto para o arranque
quanto para a linha-mestra, achamos preferível escolher linhas
macias (além de
resistentes, claro), que tenham um pouco de elasticidade. Considerado
que qualquer linha tem sempre alguma elasticidade, maior ou
menor, o que se procura é o ponto de equilíbrio ---que não seja
nem muito mole nem muito dura demais. Linhas macias assentam
melhor na bobina e desenrolam melhor. Linhas muito duras não
assentam bem na bobina, têm menos tolerância a trancos e, pelo
fato de reterem mais “memória do carretel”, isto é, ficando
espiraladas, não se esticam bem, com maior tendência a se torcerem
a qualquer alívio da tensão.
Mesmo sem ser usado,
com o tempo o monofilamento vai ficando ressecado, perde suas
propriedades originais e enfraquece. Por isso, é desaconselhável
estocar muita linha. É preferível ir comprando na medida das
necessidades, reabastecendo sempre os molinetes com linha nova,
de fabricação recente. A linha do molinete deve ser trocada
de acordo com o tempo e a freqüência do uso, quando começa a
dar sinais de desgaste e fadiga. Sendo linha colorida, ela fica
descorada e esbranquiçada com sinais de abrasão. Linha incolor
perde a transparência e o brilho.
Como é lógico e compreensível,
a linha sofre maior desgaste nos primeiros metros ou dezenas
de metros mais utilizados, que ficam mais tempo em contato com
a água salgada, areia e outros agentes degradadores. Isso sem
contar com a exposição ao sol e o atrito com a ponteira e a
roldana do pick-up no recolhimento da linha com o peso da chumbada
ou do peixe. Por isso, quando uma linha começar a apresentar
sinais de enfraquecimento, pode-se remove-la do carretel e rebobiná-
la pela outra ponta, deixando na parte de fora as voltas que
antes estava no fundo. Principalmente se a linha for das importadas
das melhores marcas que, além de caras, não são facilmente encontráveis
nas lojas.
Linhas importadas, como das marcas Stren, Máxima, Trilene, Platil,
etc., são de alta qualidade, mas muito caras. Hoje existem sucedâneos
nacionais de boa qualidade, com a vantagem de que são bem mais
baratos. Não será certamente o custo da linha que impedirá alguém
de pescar.
