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MOLINETES
II
Mas só a bobina larga não basta para garantir melhor
saída de linha nem melhores arremessos. É preciso que o bobinamento
seja perfeito, isto é, que o mecanismo de recolhimento distribua
a linha uniformemente pelo carretel, de modo a produzir um bobinado
homogêneo que permita encher o carretel até a boca. Os molinetes
Escualo apresentam um desempenho ímpar no arremesso porque atendem
a dois requisitos fundamentais: a parte de seu carretel largo,
têm o passo calculado com precisão e executado por um mecanismo
engenhoso, do que resulta um bobinamento perfeito, ao contrário
da maioria dos molinetes conhecidos, nos quais a qualidade do
bobinamento deixa muito a desejar. De mais a mais, ainda contrariamente
à maioria, o Escualo gira no sentido anti-horário (como também
o Mitchell 410), característica essa que favorece o arremesso
na medida em que reduz o tranco que a linha leva do dedo para
ser liberada.
Muitos molinetes de modelos recentes, mesmo dotados de carretel
largo, enrolam mal porque têm o curso do eixo muito curto em
relação à largura do carretel----um erro de projeto tão primário
que nãao dá para entender. Não adianta nada ter carretel largo
se ele não é preenchido. E não sendo preenchido, o enrolado
fica irregular e prende o arremesso. Outros produzem enrolamentos
irregulares em conseqüência ddo descompasso entre as rotações
do pick-up e o sobe -e-desce de ritmo rápido e invariável,
nunca enrolam direito. Nesse ponto, o Escualo segue uma lógica
elementar, que não é preciso ser nenhum técnico para entender:
a largura do seu carretel é igual ao curso do seu eixo.E para
que a distribuição da linha não fique desigual, a bobina dá
uma parada nos extremos inferior e superior do seu curso vertical.
É de lamentar que ele seja muito pesado e abrutalhado , além
de ter componentes e acabamento de má qualidade .
A julgar pelo recente aparecimento dos modelos long cast
japoneses, de carretel bem largo e bobinamento impecável
(pelo menos nos modelos mais caros), até que enfim, ao que parece
, os pescadores têm alternativas de molinetes modernos de diversos
tamanhos e categorias, excelentes em termos de qualidade e capacidade
de arremesso. Modelos normais da Daiwa da série long cast,
como PM-H, PR-H, SPORTLINE GS, TOURNAMRNT EX, etc, têm bbobbinas
com quociente 2 na relação diâmetro /largura, enquanto os tipos
especiais , equipados com bobinas super largas, mais largas
do que a do Escualo 6004, tais como os modelos Millionmax e
SS-35 a SS-45 Tournament procaster, apresentam quocientes de
mais ou menos 1,75 a 1,40. Suas bobinas, além de excepcionalmente
largas e rasas, são ligeiramente cônicas -tudo visando facilitar
a saída de linha. Os modelos de carretel largo da Shimano também
são bons, embora não enrolem tão bem como os da Daiwa. Alguns
são dotados de carcaça de titânio. Modelos japoneses mais incrementados
são equipados com freio de disco, acionado por uma alavanca
(lever brake). O problema é que essas sofisticações tornam
os equipamentos muitos caros.
Mas posto que, exceção feita ao Escualo e os recentes modelos
long cast de origem japonesa, a maioria dos molinetes
enrola mal, amontoando a linha na parte central ou nas extremidades
do carretel, formando calombos, depressões e outros acidentes
geográficos indesejáveis, costuma-se fazer um backer para
compensar os defeitos de fábrica. Backer é o fundo,
não utilizado efetivamente na pesca (que pode ser feito
enrolando a linha com a mão), ao qual se dá um conformação adequada
conforme o bobinado irregular produzido pelo molinete, a fim
de corrigir os defeitos do bobinamento mecânico e melhorar o
perfil do bobinado final. Por exemplo: se o molinete ao encher
o carretel, enrola mais linha junto aos flanges e menos na parte
na parte central, formando uma depressão no bobinado, pode-se
tirar uma boa extensão de linha (uns 150/200 m ou mais, de acordo
com o tamanho do carretel, a espessura da linha e o comprimento
efetivamente utilizável na pesca) e fazer um backer coerente
no caso, convexo, para compensar o vício do molinete de formar
concavidade no bobinado. Então, manivelando o miolinete, encher
o carretel até o limite desejado. Dependendo da distorção maior
ou menor do bobinamento mecânico natural, o bobinado corrigido
poderá ou não ficar bem nivelado, mas ficará menos irregular. Para
fazer o backer recomenda-se não usar linha muito fina
nem apertar demasiadamente o enrolado, a fim de prevenir excesso
de pressão sobre as paredes do carretel.

Quando se pesca fazendo lances curtos com linha fina e chumbada
pequena, é aconselhável não usar o carretel cheio, senão dará
"craca" na linha a todo instante por enrolar linha frouxa. Então
não há paciência de pescador que consiga desembaraçar maçarocas
de linha fina. Por outro lado, ao enrolar linha muito tensa,
o bobinado poderá ficar excessivamente apertado, com o voltas
encavaladas, de forma a impedir boa saída de linha no arremesso
seguinte. Isso se o próprio carretel não estourar com o aperto
excessivo. Outra coisa: toda vez que o peso a puxar, seja um
enrosco, um peixe fisgado ou mesmo a chumbada, for de tal porte
que represente muito esforço para o molinete, deve-se usar a
vara nesse trabalho, recolhendo com a manivela apenas a linha
recuperada. Usado como guincho, o molinete terá sua vida útil
encurtada (se não quebrar irremediavelmente antes0 com o desgaste
prematuro das engrenagens e articulações, uma vez que ele foi
feito para recolher a linha e não para arrastar peso.
Uma peça importante geralmente ignorada pelos novatos, é
o mecanismo de freio, que nos molinetes de uns e outros costuma
estar desativado, tão travado que não patina nem quando o
anzol engancha um navio afundado. ao montar o equipamento para
pescar, não se deve deixar de examinar o sistema de freio, verificando
se ele está bem regulado, patinando e dando linha antes que
a força de tração chegue ao ponto de rompimento.
A regulagem deve ser feita de acordo com a resistência da
linha, e pode ser calculada puxando a linha sujeitada pela roldana
do pick-up, reproduzindo a situação que acontece
na pesca, para ver se a bobina patina satisfatoriamente.
A correta regulagem do freio é importante em qualquer molinete,
mas especialmente no material leve, em razão da menor resistência
da linha. A patinagem controlada da fricção não só evita o rompimento
da linha em conseqüência de trancos e esforços acima de sua
capacidade, mas também serve para cansar o peixe fisgado. Sem
um mecanismo de freio bem ajustado e funcionando
perfeitamente, será difícil colocar no seco peixe de
grande porte ou de tamanho considerável para a capacidade do
material.
Existem dois sistemas principais de freio de molinete: um
mais comum, em que o mecanismo está no carretel, que patina,
dando linha quando solicitado; o outro, mais eficiente, usado
já há muito tempo pela sueca Abu e hoje por muitos fabricantes,
no qual o freio é aplicado no eixo do carretel.
O problema em relação a esse item é que muitos molinetes--particularmente
os mais baratos---não têm um mecanismo preciso de regulagem,
com aperto e desaperto progressivos como seria de desejar. Muitas
vezes, ao apertarmos levemente a fricção, ela trava; desapertando-a
um pouco, ela se solta de uma vez
O freio só deve estar bem apertado quando executa fortes
arremessos com chumbada pesada (algo como 90/100 gramas ou mais),
ocasiões em que, se o mecanismo patinar com o arranco, o violento
atrito da linha poderá queimar ou cortar o dedo do pescador.
A maioria dos modelos mais recentes de molinete tem bobina
e carcaça de carbono, material cada vez mais empregado pelos
fabricantes de implementos de pesca. O grafite é mais leve e
resistente ao desgaste do que o aço, não obstante alguns carretéis
desse material serem acusados de sofrerem deformações com o
uso. Mas sem dúvida não devem quebrar tanto quanto os de material
sintético . Além do mais, sendo imunes à ação corrosiva da água
salgada, tem a grande vantagem de não enferrujar nem descascar.
Também é tendência nos modernos molinetes o carretel externo,
sistema melhor do que o antigo e tradicional, no qual o carretel
trabalha dentro do copo rotativo. Neste sistema antigo, é comum
a linha, ao escapar do pick-up, cair dentro do copo,
enrolando-se no eixo por baixo do carretel. E mais: para arremessar,
o pescador precisa acertar a posição da bobina, para que ela
esteja em seu ponto superior, fora do copo, e assim a linha
saia mais livre. Outro melhoramento, que também tende a se generalizar,
é a alça recolhedora de linha de retorno tanto manual quanto
automática, bem como a catraca silenciosa.
Fonte: Noções Gerais de Pesca
de Arremesso
Autor: Silvio Fukumoto
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