Com a chegada
da primavera e o conseqüente início da elevação da temperatura,
resolvemos informar aos nossos amigos, que já estamos na temporada
de pesca esportiva do grande Pampo Sernambiguara no litoral
de São Paulo. Para quem ainda não conhece este "F1" do mar,
aqui vai o nosso registro!

Cientificamente
é classificado como Trachinotus falcatus, a área de
atuação do Sernambiguara no Atlântico Ocidental, vai desde
os Estados Unidos até o Sul do Brasil. Nesta vasta extensão
marítima, onde sua presença costeira já foi registrada, ele
recebe outros nomes, além deste, como: Arebebéu, Aribebéu,
Garabebéu, Pampo arabebéu, Pampo-gigante, Pampo-verdadeiro,
Sernambiquara - comedor de sernambis(moluscos bivalves), Tambó
e ainda, o sofisticado "Permit", em inglês.
Durante alguns anos,
dedicamo-nos à pesca deste valente peixe. Corpo ovulado e
levemente comprimido, com escamas pequenas, focinho curto
e obtuso, dorso azulado escuro, ventre prateado com mancha
amarelada na parte anal, atingindo 1,20m de comprimento e
mais de 40 Kg de peso. Apesar de sua dieta principal ser os
moluscos, se alimenta também de crustáceos, larvas, vermes
e pequenos peixes. Difere do seu parente mais próximo o Pampo,
no tamanho e no número de raios das nadadeiras dorsal e anal.
Pois bem, deixando a
descrição do Sernambiguara de lado, visto que ela poderia
gerar várias páginas, mas lembrando ainda, que a carne deste
peixe é muito apreciada, vamos ao nosso objetivo maior: a
sugestão da sua pesca na modalidade de costão.
Primeiramente, definiremos
o local da nossa pescaria desembarcada, que, pela proximidade
de São Paulo, recomendaremos a ilha de Santo Amaro ou melhor,
a cidade do Guarujá, onde os melhores pontos são as zonas
de arrebentação dos costões ricos em organismos vivos na sua
superfície e o ideal, que possuam lajes extensas, de preferência
com 20 à 45 graus de inclinação em relação ao nível do mar.
Em seguida, escolheremos as
melhores marés para os locais citados, que serão as de pós
quarto até as de ante lua, em outras palavras, do terceiro
ao sexto dia de fase da lua e, uma dica importante, sempre
na preamar, de preferência à matutina quando coincidir.
Independente das
marés, os outros fatôres ligados ao sucesso da visita do Sernambiguara
ao nosso ponto de pesca, são: água quente e limpa, pois ele
depende da visão para se alimentar. Ondulação ideal (constante
entre 0,4 à 0,8m), pois incentiva a sua aproximação para tentar
capturar mariscos, caranguejos, saquaritás e baratinhas que
venham a se desprender das pedras e pressão atmosférica acima
dos 1.013 Mb.
Sabendo-se o peixe, a
época que é da primavera até o meio outono no sudeste, o local,
a data/horário conforme a maré e, as iscas que poderão ser
naturais do próprio ponto de pesca ou artificiais (jigs),
vamos a tralha recomendada:
Um material compatível
para a pesca desembarcada do Sernambiguara em costão, consiste
em uma vara de aproximadamente 4 metros com resistência de
"casting" entre 150 a 300 gramas e um molinete ou carretilha
com capacidade estimada de armazenamento de 200 metros de
linha 0,60 milímetros. Quanto à linha, vale explicar que o
que importa é a sua espessura para aguentar a abrasão nas
pedras durante as longas brigas com esse Pampo gigante e não
a sua resistência em relação a esportividade desejada.
Apesar do nosso objetivo
ser o grande Sernambiguara, creio que não é novidade para
a maioria dos pescadores em água salgada, que o descrito até
agora serve muito bem para a pesca de outros peixes, tais
como: garoupas, pampos, sargos, xaréus e etc. Por isso, não
se zanguem caso a esportividade pretendida devido a tralha
manuseada, fique desequilibrada em relação a outros peixes
menores que vierem a fisgar. Pela própria vivência, podemos
afirmar que sempre valerá a pena aguardarmos a entrada de
um Sernambiguara, e só assim, sentiremos que todo nosso corpo
e tralha é pouco para esse "incansável lutador"!
Com relação as dicas finais
de pescaria sobre o Sernambiguara, aqui vão elas:
1 - No costão, ele adora
se alimentar por baixo da espuma, na faixa de 1 a 5m de profundidade;
2 - Procure manter ou trabalhar a isca junto ao paredão
de mariscos, onde as ondas batam insistentemente;
3 - Ele caça com a visão, sendo muito desconfiado ao examinar
a sua presa, podendo até ignorá-la em alguns casos;
4 - Tendo caranguejo como isca, ele abocanha e se arranca
sem aviso, ficando ás vezes mal fisgado;
5 - Com o "corrupto", ele parece brincar com a isca, puxando
e largando-a várias vezes antes da pegada final
6 - Na briga, de início arremete violentamente para o
fundo, alternando para cima onde margeia as pedras, parecendo
que não vai parar...;
7 - Toda linha é pouca para capturar os grandes, seja
paciente em cansá-lo e boa sorte!
Cumpre lembrar, que um dia ainda se Deus quiser, utilizando
material de Fly, passarei momentos inesquecíveis da minha
vida com um grande Sernambiguara no Guarujá.
Sernambiguara: 20,6 Kg
Tempo de "briga": 50 minutos
Data: 09 / 10 / 94
Local: Costão do Guarujá
Vara: Daiwa 725CG-44
Molinete: Daiwa GS100
Linha: 190 m de Vantage 0,58mm "Leader": 15 m de
Araty 0,80 mm
Chumbo: Oliva de 50 gr
Girador: Paoli n.4
Anzol: Mustad 3/0 - braço curto
Isca: Corrupto de praia
Pescador esportivo Pedro
Abate
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